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Choque de custos: como se preparar para não ser pego de surpresa com aumento de gastos

Choque de custos: como se preparar para não ser pego de surpresa com aumento de gastos

24/03/2026

Toda empresa já se deparou com aumentos repentinos nas despesas. É o chamado choque de custos, que pode ser uma grande dor de cabeça para PMEs.

Segundo José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School, a alta dos gastos não acontece de uma hora para outra, mas é muito comum que a percepção seja exatamente essa. "Para uma média empresa pode ser mais complicado, porque elas não são grandes o suficiente para fazer boas negociações e nem pequenas para ter facilidade de modificações urgentes ou necessárias", afirma.

São vários os fatores que podem levar ao choque de custos. De acordo com David Kallás, sócio da consultoria KC&D e professor do Insper, inflação de insumos e matérias-primas; variação cambial (impacta matérias-primas importadas e contratos dolarizados); reajustes de energia, de fretes e de logística; alta de juros (que encarece capital de giro e financiamentos; rupturas na cadeira de suprimentos e mudanças regulatórias e tributárias são os principais.

“Insumos e matérias-primas, impactados por inflação global, variação cambial e cadeias de suprimentos ainda instáveis estão entre os fatores que mais pressionaram as médias empresas nos últimos meses. Reajustes de combustível e maior custo operacional do transporte; reajustes salariais acima da inflação e maior competição por talentos e nível de ocupação atual no Brasil também tiveram grande impacto”, fala.

Questões como Selic (taxa de juros) elevada impactando capital de giro, antecipação de recebíveis e negociação de dívidas; e oscilações tarifárias e custos estruturas do setor de energia contribuíram para elevar a instalibidade e pressionar ainda mais as despesas.

Vigilância atenta
Para não ser pego de surpresa e se preparar para um cenário de aumento de custos é preciso estabelecer uma rotina disciplinada de acompanhamento. A dica mais importante, segundo o professor da FIA José Carlos de Souza Filho, é trabalhar com dados e olhar constantemente os indicadores financeiros organizados em relatórios claros e frequentes. É fundamental considerar fluxo de caixa (projetado e realizado), margem de contribuição por produto e/ou serviço e margem dos custos e break-even (mínimo de faturamento para não ficar no vermelho).

Vale destacar que, como o aumento de custos pode vir de diferentes fontes, a chamada “análise vertical” do DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) ajuda a indicar quais são os principais “vilões” das despesas. Uma boa prática para não perder nada de vista é criar painéis (ou dashboards) e associar responsáveis para cada um deles: “A missão não é apenas levantar os números, mas, principalmente, analisá-los e propor sugestões de melhorias para os fóruns de acompanhamento”, sugere David Kallás.

Como prevenir é melhor do que remediar, Souza Filho diz que é possível se precaver e se preparar para um aumento significativo de custos. “Isso pode ser implementado por meio de algumas técnicas como a ‘Análise de Cenários’ (Stress Testing)”, diz. Como o nome indica, tem a ver com criar conjunturas hipotéticas de crise para avaliar a resistência, a estabilidade e o desempenho antes de uma falha real. A ideia é definir situações extremas, rodar simulações e analisar como determinadas operações se comportam e se antecipar a crises, implementando melhorias.

Se o choque de custos de fato aconteceu, é hora de montar um plano para mitigar as perdas. Um dos caminhos para isso é tentar absorver os aumentos, buscando eficiência. Kallás indica redução de desperdícios, renegociação com fornecedores, revisão de contratos, melhoria de processos e ajustes de estrutura fixa. “Uma oportunidade é aproveitar soluções de inteligência artificial e digitalização para ter ganho real de produtividade”, diz.

Outra via para minimizar prejuízos é o repasse de custos. Ele recomenda evitar fazê-lo de forma linear: “É importante entender segmentos e perfis de clientes, cada um com sua sensibilidade e preço. Outro ponto importante é a comunicação com os clientes. Empresas que repassam preço com narrativa de valor preservam margem melhor do que as que apenas ‘sobem a tabela’”, afirma.

O choque de custos é preocupante, mas não precisa ser uma surpresa. Por isso, é essencial observar a empresa e seu entorno, e ficar de olho nas notícias que podem impactar o negócio. Souza Filho destaca uma delas: “Preste atenção à Reforma Tributária que já está em vigor, e vai apresentar efeitos diretos em 2027”, diz. É bom se preparar para mudanças de rotinas também, como as que poderão ocorrer caso a PEC (proposta de emenda à Constituição) da escala 6X1 [redução da jornada de trabalho] seja aprovada. “O mercado de médias empresas no Brasil corresponde a quase 19% dos postos de trabalho, o que exigirá muita atenção na questão da [possível] redução de jornada”, afirma.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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